ISRC

O que é ISRC e como gerar o seu código antes de lançar uma música

Por Larissa Oliveira · 1 de junho de 2026

Você já lançou uma música e não sabe se o ISRC está realmente correto?

Ou pior: você recebeu um código da distribuidora, subiu a faixa nas plataformas e ficou com aquela sensação de que a parte chata da estrutura ficou no improviso?

Neste artigo, vou te explicar o que é ISRC, para que ele serve, quem deve gerar esse código e por que ele precisa estar vinculado ao cadastro certo para a sua música não ficar perdida no caminho da arrecadação.

O que é ISRC?

ISRC significa International Standard Recording Code, ou Código Internacional de Normatização de Gravações.

De forma simples, segundo a definição do ECAD, ele é um código eletrônico alfanumérico de 12 caracteres que funciona como identificador básico das gravações fonográficas.

Mas atenção: o ISRC não identifica a obra musical, ou seja, a composição formada por letra e melodia.

Ele identifica o fonograma.

Mas o que é fonograma? É a gravação da música. Quando uma obra é gravada, nasce um fonograma. A Abramus define de forma simples: fonograma é a obra gravada.

EXEMPLO

Imagine que você compôs uma música. Essa composição é a obra musical.

Depois, você foi ao estúdio e gravou essa música. Essa gravação é o fonograma.

Se você gravar uma versão acústica, um remix ou uma nova versão com outra produção, a composição pode continuar sendo a mesma, mas o fonograma mudou. E, em regra, cada novo fonograma precisa de um novo ISRC.

É por isso que eu costumo dizer que o ISRC funciona como um "CPF" do fonograma. Não como definição oficial, mas como uma forma simples de entender: cada gravação precisa ser identificada de um jeito único.

Para que serve o ISRC na prática?

O ISRC serve para identificar a gravação quando ela circula.

Isso importa porque, na música, existem camadas diferentes de direito e de cadastro. Uma coisa é a composição. Outra coisa é a gravação.

Quando uma música é executada publicamente, o sistema de gestão coletiva precisa identificar quem tem direito sobre aquela execução. O ECAD explica que execução pública musical envolve a utilização de músicas em locais de frequência coletiva, por vários meios, incluindo radiodifusão, internet e outros formatos.

Na prática, quando um fonograma toca, podem existir titulares de direitos conexos, como:

  • intérpretes;
  • músicos acompanhantes ou executantes;
  • produtor fonográfico.

E também podem existir titulares de direitos autorais ligados à obra, como:

  • compositores;
  • autores;
  • editoras musicais.

Percebe a diferença?

A obra e o fonograma precisam estar cadastrados corretamente para que o caminho do dinheiro faça sentido. O ISRC ajuda a identificar a gravação, mas ele não substitui a estrutura completa de cadastro.

O ISRC garante que eu vou receber meus direitos?

Não sozinho.

Esse é um ponto muito importante.

Ter um ISRC não significa automaticamente que todo dinheiro vai chegar certo. O código é uma peça da estrutura mínima, mas ele precisa estar ligado ao cadastro correto do fonograma, à associação de gestão coletiva e às informações certas dos participantes da gravação.

É aqui que muita gente confunde ferramenta com solução.

Se você gerou o ISRC na associação, depois precisa vincular esse código no campo correto quando for distribuir a música. Se você recebeu um ISRC por uma agregadora ou distribuidora, precisa conferir se o fonograma foi cadastrado corretamente na associação.

Sem esse cuidado, você pode até ter um código, mas continuar com a estrutura de arrecadação incompleta.

ISRC e ISWC: qual é a diferença?

Essa diferença é essencial para não misturar obra com fonograma.

Código O que identifica Camada de direito Para quem importa
ISRC Fonograma, ou seja, a gravação Direitos conexos Intérprete, músico executante e produtor fonográfico
ISWC Obra musical, ou seja, a composição Direitos autorais Compositor, autor e editora musical

O ISWC é o código que identifica a obra musical e relaciona essa obra aos seus criadores.

O ISRC identifica a gravação.

Para não restar dúvida: uma mesma composição pode ter vários fonogramas. Cada regravação, versão ou modificação relevante pode gerar um novo fonograma e, portanto, um novo ISRC.

É por isso que, quando você pensa em cadastro musical, precisa separar as duas perguntas:

  • a obra está cadastrada?
  • o fonograma está cadastrado?

Se você mistura essas duas coisas, fica muito mais difícil entender onde o dinheiro trava.

Quem é responsável por gerar o ISRC?

Quem deve gerar e cadastrar o ISRC é o produtor fonográfico.

Calma que eu vou explicar.

Produtor fonográfico não é, necessariamente, o produtor musical da faixa. A Abramus explica que o produtor fonográfico pode ser uma gravadora ou a pessoa física ou jurídica responsável economicamente pela gravação.

Ou seja: se você é artista independente, pagou a gravação, organizou a produção e assumiu a responsabilidade econômica pelo fonograma, é possível que você seja o produtor fonográfico daquela gravação.

Mas atenção: isso não significa que qualquer pessoa deve sair gerando código de qualquer jeito.

Para gerar ISRC diretamente pela Abramus, por exemplo, é necessário estar filiado na categoria de produtor fonográfico. Esse ponto é importante porque o ISRC não é só um número para preencher em formulário. Ele carrega informações sobre quem é responsável pela gravação.

Como gerar o ISRC da sua música?

Se você está pesquisando como fazer ISRC de música, existem dois caminhos que aparecem com frequência. Mas eles não têm o mesmo nível de segurança estrutural.

1. Pela associação de gestão coletiva

Esse é o caminho mais seguro e recomendado.

Na prática, você se filia a uma associação, como a Abramus, na categoria de produtor fonográfico, e gera o ISRC pelo portal da associação.

No caso da Abramus, a própria associação explica que não é possível gerar o ISRC sem estar filiado como produtor fonográfico. Depois de gerar o código, você consegue usar esse ISRC no envio para fábrica, agregadora ou plataformas digitais.

Esse caminho é mais organizado porque o código já nasce dentro da estrutura de gestão coletiva, com o produtor fonográfico responsável e os dados do fonograma.

2. Pela distribuidora ou agregadora

Esse é o caminho mais comum, mas também é o que mais traz problema quando o artista acha que está tudo resolvido só porque recebeu um código.

Muitas distribuidoras e agregadoras fornecem ISRC no processo de envio da música. Só que isso não elimina a necessidade de olhar para o cadastro do fonograma na associação.

O próprio ECAD publicou um alerta sobre ISRC irregular, orientando artistas e compositores a procurarem suas associações quando houver dúvida sobre o tema.

A Abramus também orienta que, se você possui ISRC gerado por agregadora, pode cadastrar o fonograma no Portal Abramus para receber direitos conexos, se houver.

Então o ponto não é demonizar a distribuidora. O ponto é não deixar a sua estrutura inteira depender de um código que você nem conferiu se está cadastrado corretamente.

O que acontece se eu lançar uma música sem ISRC?

O problema real não é só "lançar sem código".

O problema é lançar sem uma gravação identificada e cadastrada corretamente dentro da estrutura que permite reconhecer os titulares do fonograma.

Na prática, isso pode gerar:

  • dificuldade para identificar aquela gravação;
  • conflitos ou inconsistências na base de dados;
  • valores retidos ou distribuídos de forma incompleta;
  • necessidade de cancelar, substituir ou validar uma nova numeração;
  • cadastro incompleto de intérpretes, músicos e produtor fonográfico;
  • problema em contratos, sincronizações ou usos futuros da gravação.

Não é sobre criar pânico.

É sobre entender que metadado, cadastro e código não são detalhe burocrático. Eles são parte do caminho do dinheiro.

Conclusão

Antes de pensar apenas em lançar, pense em estruturar.

O ISRC é uma peça básica para identificar o fonograma, mas ele não trabalha sozinho. Ele precisa estar conectado ao cadastro correto, à associação certa e às informações reais de quem participou da gravação.

Se você é artista, compositor, produtor, selo ou empresário, organize a casa antes de deixar a música circular no improviso.

Porque quando a gravação começa a rodar sem estrutura, o problema raramente aparece no dia do lançamento. Ele aparece depois, quando você tenta entender por que o dinheiro não fecha, por que o cadastro está incompleto ou por que ninguém sabe explicar onde a receita travou.

Perguntas frequentes

O que é ISRC?

ISRC é o código internacional de 12 caracteres que identifica um fonograma, ou seja, uma gravação específica de uma música. Ele não identifica a composição em si, mas aquela versão gravada.

Quem é responsável por gerar o ISRC?

A responsabilidade é do produtor fonográfico, que pode ser uma gravadora ou a pessoa física ou jurídica responsável economicamente pela gravação. No caso de um artista independente, esse papel pode ser ocupado pelo próprio artista.

Produtor fonográfico é a mesma coisa que produtor musical?

Não. Produtor musical costuma ser quem participa da direção ou realização artística da gravação. Produtor fonográfico é quem assume a responsabilidade econômica pela gravação e pelo cadastro do fonograma.

Toda nova versão da música precisa de um novo ISRC?

Sim. Cada nova gravação ou modificação relevante de uma gravação deve ter um novo ISRC. A obra musical pode ser a mesma, mas o fonograma mudou.

Se eu já tenho ISRC, já vou receber meus direitos?

Não necessariamente. O ISRC é uma peça importante, mas ele precisa estar vinculado ao cadastro correto do fonograma e à estrutura de gestão coletiva para que os direitos conexos possam ser identificados e distribuídos.

Posso reutilizar o mesmo ISRC em outra gravação?

Não. O ISRC é único para cada gravação. Se você regravar a música, lançar uma nova versão ou alterar o fonograma, o caminho correto é gerar um novo ISRC.

O que fazer se meu ISRC foi gerado por agregadora ou distribuidora?

Você deve conferir se o fonograma foi cadastrado corretamente na sua associação de gestão coletiva. O alerta oficial é que código gerado fora da estrutura correta pode ficar irregular e comprometer a identificação da gravação.

Onde posso consultar ou cadastrar o ISRC da minha música?

O cadastro e a consulta dependem da associação à qual o produtor fonográfico está vinculado. Na Abramus, por exemplo, o processo acontece pelo Portal Abramus, com filiação na categoria de produtor fonográfico.

Fontes

Sobre a autora

Larissa Oliveira

Advogada especialista em direito do entretenimento desde 2016 e sócia de produtora musical.

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